No meio de um devaneio, percebi: calei mais do que deveria.
Não por falta de palavra, mas por medo do que ela revela.

Ainda assim, cresci.
Aprendi a lidar com o que ficou por dentro. E a falta foi quem ensinou.
É ela que denuncia o que não encaixa.
É ela que aponta onde ainda sou incompleto.
Mesmo quando não fiz da vida poesia,
foi a poesia que me fez viver.

Como uma parede áspera que, com o tempo, é tomada por folhas.
Não deixa de ser muro.
Mas já não é só dureza.

Desfiz alguns nós.
Soltei mágoas que impediam a cicatriz de existir.

Limpei o que precisava. Sabendo que nada disso se sustenta sem cuidado contínuo.

Hoje, o que eu quero é simples:
estar inteiro no que vivo.
Sem me punir pelos pedaços que ainda estão voltando ao lugar.

Ser presença quando for preciso.
E ausência, quando for verdade.

Porque todo dia recomeça.

_ Vinícius Carvalho

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog